03 dezembro 2011

O Começo do Fim

   Nunca me preocupei com idade. Acho que porque todo mundo sempre achava que eu parecia mais nova e eu fui me acostumando com isso. A primeira vez foi aos 27 anos, na academia que eu frequentava quando fazia o doutorado em São Carlos. Um amigo meu de lá ficou surpreso quando falei minha idade porque ele achava que eu tinha uns 21 anos. 

Aí aqui nos USA, isso se tornou mais comum ainda. Aos 29 anos, era a única do grupo obrigada a mostrar identidade na porta de bares, ou na mesa de um bar quando eu pedia uma bebida alcoólica. Uma vez me pediram identidade num jantar no Olive Garden (mesma coisa que pedirem sua identidade se você pedir uma taça de vinho num almoço no Veneza).

 Outra vez foi na lojinha de conveniências de um hotel no Havaí. Eu já tinha 34 e depois de ficar 20 minutos na fila pra pagar uma mísera garrafinha long neck de cerveja, tive que sair de lá com as mãos abanando porque a moça do caixa não me deixou levar sem mostrar a identidade e eu só tinha o cartão de crédito na mão. Não que ela achasse que eu tinha menos de 21 (idade mínima para se consumir bebidas alcoólicas aqui na terra do Tio Sam), mas ela me explicou que se o cliente tivesse cara de menos de 30, ela só poderia vender com ID. Comecei a achar graça, e é claro, gostar disso. O que eu não reparei, é que desde a primeira vez que fiquei sabendo que eu tinha cara de bem mais nova, se passaram 10 anos!

Esse ano, no auge dos meus 36 anos, o marido passou duas semanas fora, entre China e Holanda.  Começamos a usar Skype para nos comunicarmos e quando me vi na câmera notei que meu rosto estava caindo! Durante as duas semanas eu não conseguia olhar minha imagem na câmera e não ficar esticando tudo (e o marido do outro lado, se matando de rir e pedindo pra eu parar com isso). Aí notei os parênteses do lado da boca, e isso virou obsessão. Dali pra cá, a coisa só piorou e deu-se início a minha crise da meia idade...






01 dezembro 2011

Unhas da Semana #1


                   Não, esse não vai ser um blog de esmaltes. Mas sim, eu sou uma viciada em esmaltes! Amo vidrinhos coloridos, faço minhas próprias unhas e adoro olhar para elas, o que significa que vcs vão ter, sim, que olhar também!
                   Comecei a fazer minhas unhas há um pouquinho mais de um ano, depois de uma crise de manicures decentes, numa daquelas resoluções de despeito: “se for pra ficar assim, eu mesma faço!” Ficou melhor. E melhora a cada semana. Na época do furacão de um ano atrás, se tornou minha terapia, meu momentinho saudável. Sabem o que mais gosto a respeito de mãos e pés (apesar de achar foto de pé uma coisa meio desnecessária)? Eles parecem engordar e envelhecer bem menos que o resto de mim.
                   Quase parei de tirar as cutículas, adoro minhas unhas curtinhas e quadradinhas. Perdi a conta da minha coleção de vidrinhos já faz tempo, quando já tinha bem mais de 100, mas tenho momentos de desapego, então não sei se isso quer dizer alguma coisa. Adoro fazer tardes de meninas com as amigas e brincar com esmaltinhos! (Estou louca pra fazer uma com vc, Ana!)
                   O bonito da foto é meu primeiro OPI de vidrão. Presentinho de NY da Rapha, meu favorito da coleção Pirates of the Caribbean, o Skull and Glossbones é um cinza pastel sujinho de beje. Adoro cinza, mas são bem poucos os esmaltes dessa cor que eu curto na minha pele. Cismo que alguma coisa ali está parecendo encardida e eu sou triste quando encasqueto com alguma coisa. Mas voltando e este belezinha aqui, achei discreto e diferente! Quanto a ser um OPI, o pincel é ótimo, a cobertura é boa (foram 3 camadas, mas por incompetência minha) e o cheiro é suave. Durou igual com e sem top coat, e com brilho, mas eu sou viciada e prefiro o acabamento do top coat, além de ter ficado com nail art de lençol na mão que ficou sem (não vou culpar o esmalte por ter demorado pra secar porque quem passou 3 camadas fui eu...). Enfim, gostei e amei!
                   Acho que na segunda foto a cor saiu mais fiel, na primeira tinha muita luz. E ainda tem mais de onde veio esse...

29 novembro 2011

Quem?

Ana é brasileira mas vive nos EUA, casada com um iraniano, e mãe da Izzie que é americana. É engenheira, com mestrado e doutorado em Geotecnia, dá aulas numa Universidade mas acha que queria mesmo era ser artista. Naturalmente quase loira, cosmeticamente camaleoa. Uma talentosa control freak, feroz e protetora como uma leoa.
Gi é brasileira, solteira, vive com 4 filhos peludos – 2 caninos e 2 felinos. É médica psiquiatra, trabalha num hospital militar e faz trabalho voluntário com cães em situação de risco. Eternamente acima do peso desejado e recomendado e consertando o defeitinho de nascença de não ter nascido ruiva. É workaholic, sutil como um elefantinho e coração mole enrustida.
O que essas 2 mulheres têm em comum? Bem, elas têm a mesma idade, são insuportavelmente mandonas, nasceram na mesma cidade, estudaram na mesma escola e dividem uma amizade de 25 anos (abafa o caso). Além, é claro, de estarem ambas pirando com a proximidade dos 40 anos, cada uma do seu jeito. Esse blog é mais um jeito que as duas amigas encontraram de estar juntas em seus momentos de “crise”, mesmo com toda a distância.
                   Aqui vamos rir e nos emocionar muito juntas, né, amiga?
                   Visitas e pitacos são bem vindos.

Por quê?

                               Pelo menos pra mim, tudo tem que ter um motivo, então tem que haver um motivo pra eu começar a escrever um blog. Ok, eu sempre gostei de escrever, toda a torcida do Atlético (RIP) sabe disso, mas não escrevo muito há... vamos ver, DÉCADAS, se for pra ser totalmente sincera. A ideia original é da Ana, primeiro roubada e agora compartilhada, de viver a nossa crise de meia idade por escrito. E assim garantimos pelo menos uma leitora assídua para cada!
                               Pra mim a coisa surgiu meio como um espirro, uma coceirinha no nariz e... tinha que explodir AGORA! A data de hoje é importante. Hoje faz um ano que minha vida virou do avesso. A sensação é daquelas séries de ficção científica de ser jogada numa realidade paralela, algo como se descobrir dentro de um quadro de Salvador Dalí ou naquele sonho em que vc vai pra escola descalça e usando um pijama de flanela estampado com mamadeirinhas e chocalhos. A verdade é que perdi meu direito sagrado de ser criança de um dia pro outro. E no dia seguinte descobri que estava velha...
                               Nesses 365 dias muita coisa mudou na minha vida e em mim. Descobri amigos que eu nem imaginava, perdi a confiança em pessoas que amava, estou adestrando meu monstrinho duochrome, pinto as unhas cada vez melhor, procuro não perder nenhuma oportunidade de declarar meu amor às pessoas que amo e percebi que o traço do delineador aumenta a cada dia... Isso me fez lembrar de uma amiga que diz coisas esplendidamente engraçadas, e diz sempre que inveja a pele dos adolescentes, que ainda produzem colágeno (oi, Rapha). O traço do meu delineador e peculiaridades (não muito lisonjeiras talvez) da minha pele, que eu percebi neste ano, deram origem ao nome deste blog. É uma coisinha em muitas, mas pra mim, este foi “O Ano em que Deixei de Produzir Colágeno”, ou pelo menos me dei conta disso.
Agora precisamos nos adaptar à duríssima realidade de não sermos mais adolescentes e aprendermos a nos orgulhar das mulheres fantásticas que nos tornamos. Mesmo que agora sem muito colágeno...