Nunca me preocupei com idade. Acho que porque todo mundo sempre achava que eu parecia mais nova e eu fui me acostumando com isso. A primeira vez foi aos 27 anos, na academia que eu frequentava quando fazia o doutorado em São Carlos. Um amigo meu de lá ficou surpreso quando falei minha idade porque ele achava que eu tinha uns 21 anos.
Aí aqui nos USA, isso se tornou mais comum ainda. Aos 29 anos, era a única do grupo obrigada a mostrar identidade na porta de bares, ou na mesa de um bar quando eu pedia uma bebida alcoólica. Uma vez me pediram identidade num jantar no Olive Garden (mesma coisa que pedirem sua identidade se você pedir uma taça de vinho num almoço no Veneza).
Outra vez foi na lojinha de conveniências de um hotel no Havaí. Eu já tinha 34 e depois de ficar 20 minutos na fila pra pagar uma mísera garrafinha long neck de cerveja, tive que sair de lá com as mãos abanando porque a moça do caixa não me deixou levar sem mostrar a identidade e eu só tinha o cartão de crédito na mão. Não que ela achasse que eu tinha menos de 21 (idade mínima para se consumir bebidas alcoólicas aqui na terra do Tio Sam), mas ela me explicou que se o cliente tivesse cara de menos de 30, ela só poderia vender com ID. Comecei a achar graça, e é claro, gostar disso. O que eu não reparei, é que desde a primeira vez que fiquei sabendo que eu tinha cara de bem mais nova, se passaram 10 anos!
Esse ano, no auge dos meus 36 anos, o marido passou duas semanas fora, entre China e Holanda. Começamos a usar Skype para nos comunicarmos e quando me vi na câmera notei que meu rosto estava caindo! Durante as duas semanas eu não conseguia olhar minha imagem na câmera e não ficar esticando tudo (e o marido do outro lado, se matando de rir e pedindo pra eu parar com isso). Aí notei os parênteses do lado da boca, e isso virou obsessão. Dali pra cá, a coisa só piorou e deu-se início a minha crise da meia idade...